quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ser vulnerável é um ato de coragem


“Então veio um leproso e, ajoelhando-se, disse: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. Jesus estendeu a mão e o tocou, dizendo: Quero; sê purificado. No mesmo instante ele foi purificado da lepra.” Mateus 8: 2-3

Lendo o Livro de Mateus, me deparei com essa passagem do homem leproso. Eu já havia lido essa passagem, mas ela me foi revelada de uma forma surpreende para embasar o que tenho aprendido nos últimos meses sobre ser vulnerável.
Mas afinal, vulnerabilidade é uma virtude? Um privilégio? Ou não passa de um estado de fraqueza?
Segundo o significado geral, vulnerabilidade é um estado de fraqueza, fragilidade, insegurança e instabilidade em comportamentos, situações e ideias. É estar vulnerável a algo ou alguém.

Você deve estar pensando “Desde quando ser fraco e frágil é um privilégio? Se sentir inseguro é confortável? E ser instável, então?!”. É, eu também pensava assim. Depois de alguns anos, percebi que não poderia confiar em muitas pessoas, porque elas realmente me feriram de alguma forma. E demonstrar minha fraqueza seria inadmissível. Essas feridas nunca mais poderiam ser abertas. Mas sem o devido cuidado e remédio, elas tenderiam a infeccionar.

Enquanto Jesus descia o monte, o homem leproso aproximou-se, e ajoelhando-se, pede que a vontade Dele seja feita: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me.”Jesus não pergunta o desejo do homem, mas segue lhe dando a primeira ordem: Quero; sê purificado.”, e na mesma hora, o homem foi completamente limpo.

É visível as feridas que a doença da lepra causa nas pessoas, e por ser contagioso, os leprosos ficavam separados da sociedade naquela época, em casas mais afastadas, sem ter contato humano e sem poder andar livremente em público. Ela era excluída de todas as interações sociais e humanas. Imagino esse homem saindo do seu lugar, e o desafio de se aproximar de Jesus em meio à tantas pessoas. Ele deve ter enfrentado uma luta contra si mesmo e preso num grande dilema antes de chegar naquele momento. Era tudo ou nada. Ser curado ou expulso da cidade por infringir as leis. Ele estava completamente vulnerável. Suas feridas estavam expostas. Mas ele continuou, e não perdeu sua libertação.

Não importa a sua doença. Seja ela física, mental, não importa. Jesus quer que façamos como aquele homem, em meio à multidão. Um corajoso que não se importou com o que poderia acontecer com ele, caso seu objetivo não fosse alcançado.

Vulnerabilidade não é uma virtude, mas ela é essencial para a nossa redenção e purificação. É sobre não precisar vestir máscaras para frequentar lugares. Sobre não ter que alcançar nenhuma expectativa alheia que as pessoas criam sobre quem você é. Sobre não depender de redes sociais. É saber até onde seu corpo e mente alcançam. Sobre desistir, se necessário. Mas é sobre não se perder. Sobre ser você, e renovar a fé diariamente.
É sobre chorar até não ter mais lágrimas. Sobre reconhecer que somos dependentes do nosso Pai, mais do que qualquer outra coisa. Sobre correr entre a multidão sem ficar preso às consequências e se apresentar diante do único objetivo que deve ser Jesus.
Ser vulnerável é reconhecer o nosso estado humano deplorável em que nos encontramos. É um ato de coragem, qual poucos desejam confrontar.

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.” Mateus 5: 4

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