domingo, 15 de outubro de 2017

O banquete (tempo de desconstrução: parte 1)

Você que acompanha os meus textos, deve saber que eu não vou fantasiar uma vida perfeita ou maneiras de como ser um cristão moderno. Quando comecei a escrever para o blog e o livro (que infelizmente está parado há um bom tempo) eu entendi que Deus só me inspiraria quando estivesse alinhado com Ele. Então eu entendi que haveria um “limite” para o que eu escreveria.

Em alguns momentos, quando começava a escrever, queria enfatizar os encontros sobrenaturais ou ‘as coisas que fiz’ para Ele, mas tudo mudava, revelando o que realmente deveria enfatizar na mensagem a ser transmitida: a Cruz. Não era sobre mim, sobre o que eu tinha feito, o que tinha vivido, mas é tudo sobre Ele.

Não vou tentar superar expectativas suas, ou mascarar a vida real. Se eu fizesse, não seria alguém quem você poderia confiar, afinal, o Corpo não é formado por pessoas perfeitas e intocáveis, mas pessoas sinceras e verdadeiras. A Verdade consiste em revelar o que é autêntico e real. E autenticidade, em tempos difíceis, é algo bem expositivo e doloroso. Porque se você não tem nada para oferecer para as pessoas, você não se considera capaz de ajudá-las. É como se você fosse convidado para um jantar especial, mas não levasse nada para a mesa.

O banquete

Há uma semana atrás, eu e algumas pessoas da igreja fomos para um projeto missionário na Cracolândia. Estava muito ansioso por esses dois dias. Era algo que eu queria muito, mas não estava me sentindo nenhum pouco preparado para o que poderia acontecer. Antes de chegar na base missionária, eu falava para mim mesmo “Eu não vou orar, cantar, não vou fazer nada. Vou deixar fluir. Se eu sentir muito forte e claramente algo que Deus quer que faça, eu farei. Mas eu vou apenas para servir.” E essas frases me conduziram sem muito esforço para o primeiro dia.

Assim que cheguei, minhas expectativas haviam sido esquecidas em algum lugar perto do caminho, e então, enxerguei a realidade exposta daquelas almas. Muitos deles não olhavam diretamente, mas a desconfiança era escancarada na grande maioria, e da minha também. Alguns deles estavam no estágio final do efeito da droga, tentando se recuperar rapidamente para receber o jantar que logo seria servido para cada um. Alguns debochavam, cantavam, demonstravam certo ou nenhum interesse. Alguns sabiam os versículos que eram citados. Cada gesto insignificante parecia deixar o ar mais pesado para mim. E ali, sentado, me enxerguei. Eu não era diferente. De nenhum deles.

O pastor pediu para que orássemos por eles, e logo lembrei do que havia falado a mim mesmo antes de chegar ali. Assim que abaixei a cabeça para orar sozinho, vi o homem do meu lado, e sem demora perguntei se podia orar por ele. Ele me contou o que estava passando e pediu para que orasse por determinado assunto, mas não quis dar mais detalhes. Então eu orei, pedi para que Deus destrancasse todas as portas e celas que haviam se fechado posteriormente a situação que ele havia me apresentado. Assim que a oração terminou, percebi que havia orado somente por aquele homem, enquanto as pessoas tinham orado por todos os outros. Quando voltei meu olhar para o lado, vi que o homem correu para o banheiro com certo incômodo. Logo pensei “Acho que peguei pesado. Devo ter falado algo que não deveria. Não sei.”

Começamos a servir o jantar, enquanto eles recebiam de mãos estendidas e grande desespero. Começava o rodízio para o banho, e enquanto ajudava, o mesmo homem me chamou para conversar. Ele abriu seu coração sobre o que estava acontecendo. E eu fiquei muito grato por isso. Conversamos e trocamos algumas experiências sobre o que Deus estava fazendo em nós.

Mais tarde, uma amiga me chamou para conversarmos com outro homem que parecia ser o último da fila para o banho. Ele estava sendo muito honesto sobre o que estava passando, e nós pudemos falar algumas coisas sobre a aceitação e adoção do Pai para ele naquela noite.

No dia seguinte, as histórias lançadas na roda representavam mais uma vez a honestidade e franqueza de cada pessoa sentada naquele salão. Não estávamos esperando aprovação de ninguém, muito pelo contrário, estávamos liberando palavras, olhares e sentimentos uns para com os outros.

Reconhecendo quem somos, mesmo que por motivações diferentes, sinto que muitos corações sofrem por não se sentirem totalmente rendidos.

Ser autêntico vai além de toda superficialidade emocional que vivemos. Não é somente sobre quem você é para o mundo, mas reconhecer que parte de suas atitudes demonstram um caráter falho e desgastado por diversos motivos que moldaram você no decorrer da sua vida.

É necessário desconstruir diversas mistificações e altares que construímos durante nossa vida, e levamos (até mesmo inconscientemente) para a nossa nova vida. Hábitos, rótulos sociais e culturais, vícios, sentimentos, e muitos outros impedimentos podem fazer com que a nossa nova construção esteja sendo edificada sobre a areia. Podemos ter encontrado a rocha, mas construímos com ferramentas e materiais que não são parte da vontade de Deus. Construções antigas que deixamos no passado, mas constantemente voltamos atrás, procurando por refúgio dentro delas.


Abrace o processo do tempo de desconstrução. Reconhecendo quem você é em Deus, você começa a entender o que ele quer de você.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Setembro Amarelo


Cerca de 32 brasileiros morrem por dia, decorrentes de um mal silencioso e destruidor. Despertados por pensamentos malignos, ódio e rancor duradouros, sentimento de morte, medo, culpa, falta de perdão, bipolaridade, transtornos psicológicos, depressão, e doenças como o câncer e AIDS são apenas algumas das razões e sintomas que podem alavancar um início de sofrimento que parece não ter fim.

Um dos assuntos mais delicados da nossa sociedade precisa ser tratado para além daqueles que acham que isso é apenas "coisa da cabeça", ou coisa de "gente fraca que não venceu na vida". O desejo do suicídio vai além de querer chamar atenção dos outros, mas a escrachante ilusão de parecer o caminho mais fácil para se livrar do espaço vazio que aumenta gradativamente.
O Setembro Amarelo, idealizado pelo Centro de Valorização da Vida busca conscientizar que o suicídio pode sim ser prevenido, valorizando e desejando acima de tudo a vida.

Pode parecer incomum, mas diversas pessoas passam por isso diariamente, tentando encontrar sentido na vida que vivemos. Podem chamá-las de sentimentais demais, mas talvez essas mesmas pessoas estejam perdendo a sua última gota de esperança, não só dentro de si, mas no mundo em que vivemos. O fato é que ninguém está ileso de eventualidades e fatalidades.

Se você já passou, está passando, ou conhece alguém que está passando por esse processo por alguma dessas situações que não parecem ter solução, nos envie uma mensagem, por favor. Não deixe que essa oportunidade passe mais um dia sequer.
Para tudo aquilo de mal que possa ter consumido nossa felicidade, alegria, saúde e paz, há um imenso Amor que pode nos fazer renascer das cinzas restantes de nossas aflições. Que possamos viver uma nova vida, uma vida transformada e restaurada qual Deus sonhou na nossa criação.

Você não é aquilo que o mundo diz quem você é. Você não é aquilo que as circunstâncias e pessoas dizem quem você é. Você não é aquilo que você faz.

Você é o que Deus diz quem você é. Um filho amado. Creia nas verdades que Ele diz sobre você

sábado, 2 de setembro de 2017

O problema sou eu


Frequentemente, tenho uma ligeira e angustiante impressão quando as coisas começam a melhorar, que rapidamente elas irão piorar. Como se a vida tivesse fases quais você passa pelas fases ruins e boas, e assim sucessivamente. No meu caso, quando a breve fase boa começa, eu tento aproveitá-la ao máximo já pensando que a qualquer momento a fase ruim irá começar. Sim, eu reconheço que preciso mudar essa mentalidade para que as coisas parem de seguir esse caminho, e isso tem sido parte do meu processo.

Quando as coisas começam a melhorar e consigo lidar com constantes mudanças positivas, em algum momento no meio de tudo isso, me dou conta que deixei a maioria dos meus medos para trás, me fazendo parar e retroceder, e quase que de imediato, correr desesperadamente para a fonte de todos eles, me dando uma falsa impressão de que eles me proporcionam algum conforto.
Por mais banal ou até mesmo insignificante que possa parecer aos olhos de quem nunca passou por situações que fizeram sentir medo excessivo, e devo admitir que admiro essas pessoas, admiro mais ainda aquelas que já estiveram presas mas foram libertas, tinham uma vida falsamente confortável e decidiram mudar suas atitudes, transformaram seus ferimentos em antídotos curadores para os demais doentes. Tudo, porque elas tomaram uma decisão.
Em algum momento do seu cativeiro, fosse físico, mental, espiritual, seu sistema, ideologia, doença, opressão e descrença, perceberam que tiveram sua identidade roubada por suas prisões de alma e fragmentos do que restara de seus corações mutilados.

Eu as admiro, porque nesse momento, reconheço que o problema sou eu.

Conhecer Jesus na Sua essência tem sido a melhor decisão da minha vida, e tenho certeza que tudo quanto acontecer futuramente (que não vem Dele) não chegará nem perto do que Ele é para mim.
Mas a medida que Ele tem se tornado tudo, todo o resto que não deve ter importância nenhuma têm exigido o seu “lugarzinho” dentro do meu coração. Às vezes de forma sutil, às vezes face a face, e ultimamente como vozes perturbadoras, acusando e apontando o que eu devo e o que não devo fazer, para agradar não a Deus, mas a mim (e Satanás).
O medo talvez tem sido a arma mais letal na tomada das minhas decisões, como se estivesse engatilhada pronta para atirar caso desistir não for a opção, e pouco a pouco meus sonhos morrem sem muita perseverança.

Você já sentiu medo? Medo de saltar de paraquedas? Medo de ser roubado? Medo de ser traído? Medo de ficar sozinho? Medo de morrer? Eu já senti muito.

Jesus, mais do que ninguém, sabe que a guerra aqui dentro tem sido travada diariamente. Mais do que ninguém porque Ele tem lutado por mim. Às vezes sinto como se eu me colocasse em oposição à Ele, e ficasse do lado de Satanás em todas as situações que não obedeço, não persevero, e não acredito em mim mesmo o tanto que Ele acredita. Mas sinto como se Ele me puxasse de volta o mais rápido para o lado Dele novamente.

Como podes me amar tanto assim?

Satanás quer que eu me torne um problema. Qual eu não consiga controlar, qual o meu chamado não possa se desenvolver, qual eu não consiga mais ouvir a voz de Deus. Quer que a minha vida não seja mais um testemunho. Quer que eu me isole de todos, perca minha família e amigos. Quer que eu me mate, porque ele me odeia.

Jesus quer que eu me torne uma solução. Que eu busque a minha Identidade através da Cruz, qual eu possa desenvolver o meu chamado, qual eu possa enxergar e ver como Ele vê. Quer que a minha vida seja completamente Dele. Quer que eu morra para o mundo, para viver verdadeiramente, porque Ele me ama.


Pois a criação aguarda ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à inutilidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação seja libertada do cativeiro da degeneração, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e agoniza até agora, como se sofresse dores de parto; e não somente ela, mas também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, aguardando ansiosamente nossa adoção, a redenção do nosso corpo.Romanos 8: 19- 23



Ouça Os Arrais - Rojões

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quem é você quando ninguém está olhando?

Os dois meses que exclui minhas contas nas redes sociais me ensinaram muito mais do que poderia imaginar. Eu torcia para que fosse permanente, mas “quem existe sem uma conta no Facebook?” ou “Você não está bem. Fugindo de alguém? Isso é um tipo de jejum? Como irão te achar?” martelavam minha cabeça. É obvio que eu continuaria existindo, e acredito que mais do que muitas pessoas que se dedicam às redes como parte vital de sua sobrevivência. Mas a realidade é que eu não aguentava mais.
Não querendo enfatizar os problemas e benefícios da era da tecnologia e como isso tem afetado as gerações mais novas, mas será que estamos aproveitando o que ela pode nos proporcionar ou usando-a para camuflar nossos medos reais?
Eu não vou largar tudo para viver da natureza estilo Into The Wild (pelo menos, não agora), mas me pergunto se estamos mesmo vivendo para nós ou às custas de opiniões e aprovações alheias.
Percebo que antes mesmo do tempo inútil que passamos na vida online, estamos gradualmente sendo deformados pela própria mídia e sociedade, que tanto odiávamos. E assim como previsto por Orwell e Huxley, temos vivido uma sociedade parecida com a deles, só que com mais textões no Facebook e perfis para seguir no Instagram, nos dando uma falsa liberdade de opinião. Estamos sendo programados a sermos a mais nova geração que não sabe o que quer, o que acreditar, vestir, falar, curtir. Programados em provar e mostrar o que queremos que as pessoas vejam em nós, mas e você, sabe quem realmente é?
Uma geração superficial que posta o que quer, onde está, com quem, como, esperando de alguma forma ser reconhecida por ser quem acha que é. No final das contas, o que vai restar? Com qual propósito? Com qual motivação você tem feito o que tem feito quando as pessoas estão olhando? E qual motivação quando ninguém está olhando?
Sempre me disseram que a vida é como uma corrida. Mas eu penso que ela não é como aquelas que você corre contra as outras pessoas. Ela é uma corrida qual você corre contra seus próprios medos, suas próprias frustrações e anseios. Não se torne refém de demônios. Mas olhe para o alvo qual é uma vida em abundância, buscando a Verdade de quem você realmente é.

| O que te motiva a viver a vida que você tem vivido? |

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ser vulnerável é um ato de coragem


“Então veio um leproso e, ajoelhando-se, disse: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. Jesus estendeu a mão e o tocou, dizendo: Quero; sê purificado. No mesmo instante ele foi purificado da lepra.” Mateus 8: 2-3

Lendo o Livro de Mateus, me deparei com essa passagem do homem leproso. Eu já havia lido essa passagem, mas ela me foi revelada de uma forma surpreende para embasar o que tenho aprendido nos últimos meses sobre ser vulnerável.
Mas afinal, vulnerabilidade é uma virtude? Um privilégio? Ou não passa de um estado de fraqueza?
Segundo o significado geral, vulnerabilidade é um estado de fraqueza, fragilidade, insegurança e instabilidade em comportamentos, situações e ideias. É estar vulnerável a algo ou alguém.

Você deve estar pensando “Desde quando ser fraco e frágil é um privilégio? Se sentir inseguro é confortável? E ser instável, então?!”. É, eu também pensava assim. Depois de alguns anos, percebi que não poderia confiar em muitas pessoas, porque elas realmente me feriram de alguma forma. E demonstrar minha fraqueza seria inadmissível. Essas feridas nunca mais poderiam ser abertas. Mas sem o devido cuidado e remédio, elas tenderiam a infeccionar.

Enquanto Jesus descia o monte, o homem leproso aproximou-se, e ajoelhando-se, pede que a vontade Dele seja feita: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me.”Jesus não pergunta o desejo do homem, mas segue lhe dando a primeira ordem: Quero; sê purificado.”, e na mesma hora, o homem foi completamente limpo.

É visível as feridas que a doença da lepra causa nas pessoas, e por ser contagioso, os leprosos ficavam separados da sociedade naquela época, em casas mais afastadas, sem ter contato humano e sem poder andar livremente em público. Ela era excluída de todas as interações sociais e humanas. Imagino esse homem saindo do seu lugar, e o desafio de se aproximar de Jesus em meio à tantas pessoas. Ele deve ter enfrentado uma luta contra si mesmo e preso num grande dilema antes de chegar naquele momento. Era tudo ou nada. Ser curado ou expulso da cidade por infringir as leis. Ele estava completamente vulnerável. Suas feridas estavam expostas. Mas ele continuou, e não perdeu sua libertação.

Não importa a sua doença. Seja ela física, mental, não importa. Jesus quer que façamos como aquele homem, em meio à multidão. Um corajoso que não se importou com o que poderia acontecer com ele, caso seu objetivo não fosse alcançado.

Vulnerabilidade não é uma virtude, mas ela é essencial para a nossa redenção e purificação. É sobre não precisar vestir máscaras para frequentar lugares. Sobre não ter que alcançar nenhuma expectativa alheia que as pessoas criam sobre quem você é. Sobre não depender de redes sociais. É saber até onde seu corpo e mente alcançam. Sobre desistir, se necessário. Mas é sobre não se perder. Sobre ser você, e renovar a fé diariamente.
É sobre chorar até não ter mais lágrimas. Sobre reconhecer que somos dependentes do nosso Pai, mais do que qualquer outra coisa. Sobre correr entre a multidão sem ficar preso às consequências e se apresentar diante do único objetivo que deve ser Jesus.
Ser vulnerável é reconhecer o nosso estado humano deplorável em que nos encontramos. É um ato de coragem, qual poucos desejam confrontar.

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.” Mateus 5: 4

sábado, 27 de maio de 2017

Olhos Limpos


Lendo o livro de Mateus, pude me deparar com umas das minhas passagens preferidas dos ensinamentos de Jesus. Depois de Jesus andar pela Galileia, ensinando e anunciando o Reino, as notícias se espalharam nas cidades vizinhas e grandes multidões passaram a segui-lo. No Sermão do Monte (Mateus 5) Jesus sobe o monte e a multidão se reúne para ouvir seus ensinamentos, e um deles é sobre o costume de julgar os outros.

“Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão. ” Mateus 7: 3-5

Há alguns dias atrás, cheguei em casa e logo que entrei no banho senti um cisco no meu olho direito. Tentei tirá-lo com água corrente, e nada. Fui até o espelho tentar limpar, e nada. Eu não conseguia deixar o olho aberto e nem fechado por muito tempo que incomodava muito. Apliquei soro, pedi ajuda, e nada. Então, sem nenhum resultado positivo parei em frente ao espelho e disse em voz alta “Espirito Santo, tira esse cisco do meu olho”, e sem eu ter feito nada, pisquei, e na hora meu olho parou de doer. O cisco havia sumido.

Eu não acredito em coincidências. Aquilo foi real, e por mais que fosse um problema menor que um grão de areia, estava tomando toda a minha atenção. Naquela mesma noite, lendo o livro de Mateus, li os capítulos 5, 6, e 7. Mas por que essa mensagem veio a mim? Eu não julgava mais as pessoas, não estava sendo mais o juiz. O que Deus queria dizer, afinal?

Não julgue o teu próximo, nem mesmo em pensamento. Assim como você possui suas limitações, as outras pessoas também. Não justifique o seu pecado como menos pior, porque isso não faz de você mais santo. Não justifique seu pecado olhando para os pecados dos outros, porque não se trata de mérito. Não justifique seu pecado por ele estar em secreto, pois é em secreto que a essência de identidade é gerada. Não adianta julgar o mentiroso, se você mente para si mesmo. Não aponte, e não olhe com olhos de julgamento, mas com olhos de amor. Porque foi assim que Jesus enxergou você. As pessoas precisam ter seus olhos limpos, não com mãos apontando, mas mãos dispostas a ajudar.

Cuide da tua visão. Ela é porta de entrada para sua alma. O pecado é gerado em pensamento, e nossa mente é gerada através do que vemos. Não justifique seus atos pela contaminação do mundo. Quando chegar nas suas limitações, lembre-se que Jesus ultrapassa todas elas. Quando não conseguir enxergar com clareza, lembre-se que Jesus quer limpar completamente seus olhos. Quando não tiver para onde ir, lembre-se que Ele é o único caminho.
Se Jesus pagou o preço, por que precisaria tentar me limpar com minhas próprias forças? É preciso entregar a minha visão a Ele, para que Ele me faça enxergar o que realmente importa. O que realmente, é Eterno.

“Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e joga-o fora; pois é melhor para ti perder um dos teus membros do que ter todo o corpo lançado no inferno.” Mateus 5: 29

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Precisamos falar sobre A Cabana


Aviso: O texto abaixo contém spoilers e reflexões sobre o Livro e o Filme “A Cabana”. Se você não leu o livro ou não assistiu ao filme e deseja continuar, recomendamos que consulte a sinopse, sendo de sua total responsabilidade e liberdade continuar a leitura. Não iremos explicar completamente a história. Você foi avisado.

Você que continua conosco, seja muito bem-vindo. Eu particularmente gosto muito de conversar sobre livros e filmes, e há uma razão muito especial para escrever sobre A Cabana. Mas antes de finalmente chegarmos à mensagem, gostaria de esclarecer alguns pontos muito importantes.

Há muitas críticas e acusações vindas de grupos de diferentes religiões sobre o escritor William P. Young sobre a forma como ele desenvolveu o encontro de Mackenzie com Deus. Acusações de heresia, blasfêmia, misticismo, e sincretismo religioso (mistura ou reunião de diferentes doutrinas). Além disso, a maior acusação, segundo às críticas e discussões, é a personificação de Deus. Deus Pai como Elousia, uma mulher negra enorme. Deus Filho, Jesus, um homem de trinta e poucos anos, com traços semelhantes aos do Oriente Médio, e Espírito Santo, uma mulher asiática chamada Sarayu.

O Livro A Cabana é considerado uma Ficção Cristã, logo, não é baseado estritamente nas Escrituras. De maneira didática e pessoal, cria algumas situações no enredo qual é possível analisarmos o agir e a soberania de Deus. Didática, pois através de simples ilustrações conseguimos entender melhor a Criação, como quando Mack conversa com Papai sobre os pássaros.

“- Um pássaro não é definido por estar preso ao chão, mas por sua capacidade de voar. Lembre-se disso: os seres humanos não são definidos por suas limitações, e sim pelas intenções que tenho para eles. Não pelo o que parecem ser, mas por tudo que significa ser criado à minha imagem.” Pág. 90

Pessoal, pois retrata Deus de forma pessoal, como alguém com quem nós podemos conversar, criar vínculos, nos relacionar, amar. Além da quebra de estereótipos sobre como é "a aparência" de Deus. Ele não possui essas características superficiais, mas foi a maneira que encontrou para se aproximar de Mack.

“- Se você deixar, Mack, serei o pai que você nunca teve.” Pág. 82

Quando li o livro pela primeira vez, eu estava saindo de um estágio de tristeza profunda, qual eu não queria conversar e sair com ninguém devido os efeitos reversos de um remédio. Eu desenvolvi problemas na adolescência, e quando finalmente fui curado, os sentimentos de ódio aumentaram, e eu me afundei mais ainda. Na época, eu não conhecia Deus como o conheço hoje, então isso dificultou muito as coisas. Eu não queria enxergar, mas esse livro foi um dos instrumentos que me ajudaram a querer conhecer o verdadeiro Deus que salvou a minha vida. Me ajudou a enxergar que eu não poderia ser mais o juiz das situações. Que as coisas que aconteciam não eram culpa de Deus. Que eu precisaria perdoar e ser perdoado. Amar, e ser amado. Viver, e não como um fardo pesado, mas com a certeza de uma vida abundante e transcendente.

No decorrer da história, podemos perceber que Mack já tinha traumas desde sua infância que eram carregados e enraizados em sua vida. Ele constituiu uma família, tinha amigos, trabalhava, ia à igreja. Internamente, existia uma guerra sendo travada, todos os dias, para que ele pudesse ser um pai que nunca teve.

Durante a grande tristeza, como ele mesmo chamava sua depressão, não consegue lidar com a perda de sua filha caçula. Não consegue lidar com seus outros dois filhos e sua mulher que tenta reerguer sua família. Ela tenta ajudar, mas Mack não só não consegue, mas não quer. Não há razões para continuar vivo, mas Deus se apresenta a ele, e transforma a sentença de morte, em vida. Assim é conosco.

Mack, inconscientemente, estava mudando. Tudo o que guardava para si, começou a despejar na presença de Deus. Além de todos os seus traumas, seu interior estava totalmente ferido e revoltado.

“Esse negócio da presença de Deus, embora difícil de entender, parecia estar penetrando constantemente em sua mente e em seu coração.” Pág. 99

Quantas vezes questionei e duvidei de Deus. “Por que eu? O que de tão ruim eu fiz para merecer esse fardo? E as outras pessoas? Assassinos, mentirosos, corruptos, estupradores. Por que eles também não passam por isso?” Enquanto orava, eu me perguntava se aquilo realmente fazia sentido. Eu nem acreditava mais nele.

Mack julgava as pessoas e o mal que existia no mundo. Assim como toda a queda humana foi e é consequência do pecado, se ele escolhesse se matar, sua família não teria um final feliz.
Aquilo que acontecia comigo não era castigo de Deus, mas consequência. Não era sobre o que Deus poderia ter feito para evitar as coisas más, mas sobre as más escolhas que eu havia feito.
A partir da escolha de seguirmos a perfeita e agradável vontade d’Ele, os sofrimentos que temos servirão para uma glória ainda maior. Não é uma justificativa para as próximas quedas, mas a remissão e restauração disponíveis aos que se rendem verdadeiramente.

“Há milhões de motivos de permitir a dor, a magoa e o sofrimento, em vez de erradicá-los, mas a maioria desses motivos só pode ser entendida dentro da história de cada pessoa. Eu não sou má. Vocês é que abraçam o medo, a dor, o poder e os direitos em seus relacionamentos. Mas suas escolhas também não são mais fortes do que os meus propósitos, e eu usarei cada escolha que vocês fizerem para o bem final e para o resultado mais amoroso.” Pág. 114

O Espirito Santo age dentro de nós. Ele é convidado e de forma sobrenatural, cuida do nosso interior, nos transformando cada vez mais, na medida que o deixamos fluir. Ele arranca o que é podre, sujo, o que é venenoso, para nos regenerar e trazer a identidade que quem nós realmente viemos ser. O Espírito estabelece um relacionamento, e nos mostra o que e como devemos fazer para estarmos ligados com Deus. Assim, somos guiados, não pelas nossas vontades vãs e tolas, egocêntricas e manipuladoras, mas pela perfeita e maravilhosa vontade do Pai, em amar e ser amado.

Eu tenho percebido nos últimos dias que Deus está me levando ao lugar onde eu estava preso. Até mesmo com a reflexão sobre A Cabana, só que agora com Ele. Aconteceram muitas coisas de alguns meses para cá, e isso me gerou muito medo. Muito medo. E eu me esqueci do seu maior ensinamento. O amor. Se eu não estiver baseado primeiro no Seu Amor, não há como continuar, porque não haverá mais nada.

“A pessoa que vive dominada pelos medos não encontra liberdade no meu amor. Não estou falando de medos racionais, ligados à perigos reais, e sim de medos imaginários, e especialmente da projeção desses medos no futuro.” Pág. 130

Desde o início, Deus queria e quer relacionamento. E no relacionamento está o Seu prazer. Não dita placa de igreja, pessoas a serem seguidas, medidas e ordens a serem cumpridas, mas quer comunhão, liberação de perdão, liberdade e prazer em obedecer.

“- É uma árvore da vida, Mack, crescendo no jardim do seu coração.” Pág. 217

É muito difícil ter que lidar com nossos próprios medos. Mas hoje eu oro para que esse Amor seja intensificado até não sobrar mais espaço para o medo, e que eu possa compreender e viver mais disso na minha vida. Quando a verdadeira vida, nasce no nosso coração, toda dor é temporária. Toda dor é como um sopro, comparado com a vida que teremos lado a lado com o nosso Papai. E eu não vejo a hora.